Após alta 3x maior que a inflação, moradores do interior de SP traçam estratégias para negociar reajuste no valor do aluguel

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Alta dos novos aluguéis foi praticamente três vezes maior que a inflação oficial e que o IGP-M, índice normalmente usado no reajuste dos contratos. Aluguéis residenciais terminam 2022 com a maior alta em 11 anos
Marco Previdello /TV TEM
Dividir uma casa com outras pessoas não é uma tarefa fácil, principalmente porque envolve contas e dinheiro. Em moradias compartilhadas, principal escolha dos estudantes de Bauru (SP), o aluguel passou por reajustes no começo do ano. Nesse momento, vale tudo para negociar os valores.
Em uma república feminina da cidade, como são chamadas esses tipos de moradia, moram 12 estudantes universitárias. A princípio, a proposta do reajuste era aumentar o valor em R$ 1,1 mil. Contudo, após a negociação, as moradoras conseguiram abaixar o valor para R$ 300.
Moradores de Bauru conseguiram abaixar para R$ 300 o reajuste no aluguel
Marco Previdello/TV TEM
Conforme a universitária Isabela Cara, as moradoras pagam a energia, água, internet, seguro-fiador e ainda dividem o mercado. Em 2023, quando receberam a notícia de que haveria reajuste, as estudantes se reuniram para discutir formas de negociar.
“Fica apertado, a maioria trabalha, mas somos estudantes. Na nossa rotina, a gente gasta muito, então ficamos desesperadas com esse aumento. Precisamos conversar com a dona do imóvel para ela não subir tanto. A gente entende que sobe de ano em ano, mas conseguimos ter esse diálogo, escrevemos um texto e apelamos para o lado emocional. Estamos nessa casa desde 2016, então essa casa é nossa história”, conta.
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A maioria dos contratos de aluguel é corrigida pelo Indicador Geral de Preços do Mercado (IGPM). O último reajuste, no ano passado, fez com que os contratos ficassem em média 17% mais caros, o triplo da inflação, segundo dados do Índice FipeZAP+. É a maior alta desde 2011, quando o índice ficou em 17,3%.
Segundo o delegado Daniel Andrade, da Delegacia Regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do estado de São Paulo (Creci-SP), a taxa ficou acima da inflação, o que assustou os locatários.
“O que a gente percebeu no Creci é que as pessoas que tiveram mais facilidade na negociação com seus aluguéis são aquelas que têm o contrato antigo, porque o proprietário prefere negociar um índice mais baixo do que aquele que foi aplicado para não deixar o imóvel vazio. A pessoa passa de ter receita para ter despesa”, garante.
Há ainda o caso do estudante de engenharia elétrica Gabriel Borloth. Segundo ele, a república precisou mudar de endereço porque o valor do aluguel subia muito anualmente. Para evitar novas surpresas como essas, ele mudou até o contrato.
“Nós mudamos para essa casa e pedimos para a imobiliária colocar como pré-requisito a alteração no valor do contrato de aluguel em cima do IPCA, ao invés do IPGM. Para nós, o reajuste chegou em torno de 8% nesse ano, foi alto, mas não absurdo. Foi um cuidado que a gente teve e valeu a pena”, explica.
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Imobiliária de Bauru renova contratos de aluguéis após conciliação no reajuste
Carlos Torrente/TV TEM
O aumento também assustou inquilinos. Em uma imobiliária de Bauru, 80% dos contratos foram renovados por conta da conciliação entre locatários e proprietários. O empresário Celiomar Pessan contou que a negociação é necessária para não prejudicar nenhum dos lados.
“A gente acolhe casos individuais para tratarmos desse alto índice do IGPM. Foi um trabalho intenso de conciliação entre os proprietários e inquilinos, para que a gente possa ao menos aplicar uma parte do índice sem prejudicar o locatário e para que não houvesse uma desocupação em massa. Os 20% que escolheram não renovar o contrato porque, naquele momento, não tinham condição, foram realocados. Pegamos esse contrato e, dentro da imobiliária, conseguimos manter a locação”, expõe.
Delegado regional do Creci-SP diz que alta nos preços assuntou os locatários
Carlos Torrente/TV TEM
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valipomponi

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