Casa de Saúde Yanomami visitada por Lula tem superlotação de indígenas: ‘campo de concentração’, diz secretário

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Unidade em Boa Vista tem 715 indígenas internados, mas capacidade é para cerca de 300 pessoas, afirma secretário de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba. Condições da Casa de Saúde Indígena Yanomami foi registrada por Sonia Guajajara no dia da visita de Lula
Reprodução/Sonia Guajajara
A Casa de Saúde Indígena (Casai) que atende o povo Yanomami em Boa Vista tem 715 indígenas internados – mais que o dobro da capacidade de cerca de 300 vagas. “Parece um campo de concentração”, comparou o secretário de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, que esteve na unidade no mesmo dia em que o presidente Lula também visitou o local.
Lula, após a visita no último sábado (21), classificou a situação como desumana e se disse abalado com o que viu. Em razão da grave crise sanitária, o Ministério da Saúde decretou emergência de saúde pública para combater a desassistência de indígenas Yanomami.
A situação em Surucucu, unidade considerada de referência na região, mas que se resume a um barracão de madeira de chão batido e com estrutura precária, também é assustador, afirma Tapeba.
“O caso dos Yanomami é basicamente malária e desnutrição grave. Surucucu e a Casa de apoio funcionam como um campo de concentração, essa é a verdade. Eu me choquei muito quando cheguei lá”, disse.
FOTOS: indígenas Yanomami sofrem com desnutrição grave e malária na maior reserva do Brasil
O g1 esteve na Casai nessa segunda, mas não conseguiu entrar na unidade. Em entrevista à reportagem, logo depois de chegar da reserva, Tabepa reforçou a urgência de adotar medidas práticas para atender a população Yanomami doente, a maioria, com malária e desnutrição grave. Mais cedo, ele disse planeja implantar um hospital de campanha dentro da reserva , pois a situação “é de guerra”.
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Outra meta da Sesai é reestruturar os polos de saúde onde os servidores do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Yanoami) atuam para atender os indígenas doentes. Nestas unidades, faltam medicamentos, água potável, energia, internet.
“As estruturas nas unidades de saúde são bem precárias. Visitei umas em que os profissionais tem que ficar 30 dias no território, sem banheiro, sem energia, sem comunicação, sem água. Então, vão ser medidas que o Estado brasileiro vai ter que tomar”, disse.
Para o Ministério da Saúde, o garimpo ilegal é a principal causa da crise sanitária no território. A ministra a Nísia Trindade afirmou que o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi “omisso” em relação à saúde dos Yanomami.
O Ministério Público Federal afirma que o estado brasileiro foi omisso em não assegurar a proteção do território frente ao aumento de garimpos ilegais na reserva.
Visita de Lula
Tapeba chegou a Roraima no sábado (21). Ele estava na comitiva de Lula (PT), que viajou ao estado para ver de perto a desassistência aos Yanomami. O presidente se surpreendeu com o que encontrou.
“Se alguém me contasse que em Roraima tinham pessoas sendo tratadas dessa forma desumana, como vi o povo Yanomami aqui, eu não acreditaria. O que vi me abalou. Vim aqui para dizer que vamos tratar nossos indígenas como seres humanos”, disse Lula.
“É um cenário de muita guerra. O que a gente viu ontem é de partir o coração”, reforçou Tabepa sobre a grave crise sanitária enfrentada pelo povo Yanomami.
O que está acontecendo com o povo Yanomami?
Para buscar solução à crise sanitária Yanomami, o Ministério da Saúde declarou emergência de saúde pública. Lula também criou o Comitê de Coordenação Nacional para discutir e adotar medidas em articulação entre os poderes para prestar atendimento a essa população.
O plano de ação deve ser apresentado no prazo de 45 dias, e o comitê trabalhará por 90 dias – prazo que pode ser prorrogado.
Com a visita de Lula a Roraima para tratar sobre a crise sanitária, a dramática situação do povo Yanomami se tornou um dos assuntos mais comentados do país no Twitter. Muitas pessoas, ao verem as imagens das vítimas, chamaram de “barbárie” e “descaso”.
Saúde dos indígenas
Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami registra nos últimos anos agravamento na saúde dos indígenas, com casos graves de crianças e adultos com desnutrição severa, verminose e malária, em meio ao avanço do garimpo ilegal.
Só em 2022, segundo o governo federal, 99 crianças Yanomami morreram – a maioria por desnutrição, pneumonia e diarreia, que doenças evitáveis. A estimativa é que, ao todo no território, 570 crianças morreram nos últimos quatro anos, na gestão de Jair Bolsonaro.
Em 2021, o g1 e o Fantástico já tinham registrado cenas inéditas e exclusivas – semelhantes às divulgadas recentemente – de crianças extremamente magras, com quadros aparentes de desnutrição e de verminose, além de dezenas de indígenas doentes com sintomas de malária em comunidades Yanomami.

Mata

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