Defesa diz que hematomas e vídeo provam que policiais rodoviários espancaram lanterneiro

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Jairon Pereira de Souza da Silva fez exame de corpo de delito poucas horas após ocorrência e IML concluiu que não houve sinais de agressão. Momento em que equipe é da PRF agride homem negro em Palmas
Divulgação
Depois que o laudo pericial não identificou sinais de agressão contra Jairon Pereira de Souza da Silva, de 36 anos, a defesa da vítima contestou o resultado do exame de corpo de delito feito pelo Instituto Médico Legal de Palmas (IML) já que ele ficou com hematomas e há imagens da ação. A vítima foi abordada por policiais rodoviários federais em um posto da região sul de Palmas.
Na noite de 6 de janeiro deste ano, Jairon estava trafegando pela BR-010, em Taquaralto, aparentemente sob efeito de álcool e uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) deu sinal de parada.
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Por também estar com a documentação irregular, não obedeceu e só foi parar em um posto de combustível no Aureny I. No local, pelo menos dois policiais rodoviários o tiraram do veículo e o agrediram com chutes e socos. Imagens do momento da abordagem circularam nas redes sociais.
O resultado desse exame pericial, concluído no dia 9 de janeiro e assinado pelo médico legista Sergio de Moraes, cita o relato de Jairon sobre chutes nas costas e na coxa esquerda. Entretanto, a conclusão é que não houve sinais externos de agressão física e lesão corporal.
O lanterneiro Jairon Pereira de Souza da Silva contou o que aconteceu na noite da agressão
TV Anhanguera/Reprodução
A advogada Maria de Fátima Dourado, que faz parte da defesa de Jairon, recebeu o resultado com surpresa, já que os vídeos e as marcas que ficaram no corpo comprovam o espancamento.
“Nas imagens do vídeo, as fotos dos hematomas elas mostram claramente as agressões que o Jairon sofreu. Não resta dúvida de que ele sofreu uma violência física por parte dos policiais rodoviários federais, então é uma grande surpresa o laudo de lesões corporais não identificar nenhuma lesão à na vítima”, disse.
Maria de Fátima também afirmou que vai usar outros elementos do inquérito para provar que houve lesão corporal. “Vai ser basicamente através de depoimento testemunhal, fotografias e o próprio vídeo né que mostra quando ele foi agredido”.
A advogada ainda citou que a investigação enfrenta mais um problema grave, já que os policiais rodoviários tentaram mudar depoimento na delegacia e fraudar o boletim de ocorrência depois que a situação no posto de combustível foi flagrada.
Trecho do documento emitido pelo IML no dia 9 de janeiro deste ano
Divulgação
O que diz o IML
O diretor do IML de Palmas, Eduardo Godinho, disse que o resultado pode ter sido prejudicado pelo curto período de tempo entre a chegada à delegacia e a hora da análise.
“Da lesão, a delegacia, a fazer o exame cautelar, o exame de lesão corporal, ela demorou mais ou menos duas horas e quarenta e três horas. Nesse período ainda não apresenta lesões visíveis para que o perito possa determinar que há lesão, ou hematoma ou qualquer outra coisa dessa natureza”, disse.
Godinho também afirmou que Jairon poderá voltar ao IML para fazer novos exames periciais relacionados à agressão. “Ele poderia vir aqui e fazer o exame complementar. Ele poderia ir na delegacia solicitar o exame complementar. E não que não possa ser feita hoje também. Nós aqui, aguardamos ele, se ele tiver interesse de vir ao IML para fazer exames complementares”.
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Marcas
Apesar do resultado do exame, em entrevista à TV Anhanguera no dia 11 de janeiro, o lanterneiro contou o que aconteceu na noite de agressões. Explicou que realmente havia ingerido bebida alcoólica e que estava com a documentação irregular. Mas achou que houve exagero na abordagem policial.
“Eu errei porque tentei escapar para eles não pegarem. Peguei a 010 [BR] porque eu moro em Taquaralto. Eu queria parar, mas já tinha fugido e eles atrás […] e fui parar em um lugar claro”, disse.
Os quatro policiais rodoviários envolvidos na ocorrência são Matheus Fernandes de Brito, Walley Xavier Ramalho, Leonardo Leopoldino Torres e Danilo Campos Teixeira. Segundo a PRF, eles ainda estão afastados das atividades nas ruas. Todos são investigados pela corregedoria e também em um inquérito da Polícia Federal.
Vídeo mostra homem sendo agredido durante abordagem da PRF em Palmas
Reprodução/TV Anhanguera
Relembre o caso
Segundo boletim de ocorrência registrado sobre o caso, os policiais teriam dado ordem de parada para a vítima ainda na BR-010, em Taquaralto. Isso porque o homem aparentava embriaguez e ainda trafegou pela contramão. Quando chegou ao posto do Aureny I, eles o abordaram e o agrediram.
Quatro policiais rodoviários levaram o homem para a 1ª Central de Atendimento por volta das 23h. Eles alegaram os crimes de embriaguez ao volante, desobediência e pelo menos oito infrações de trânsito.
Segundo a Polícia Civil, o delegado plantonista estipulou uma fiança, que foi paga, e encaminhou a vítima para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito, já que ele falou dos socos e chutes que recebeu. Depois disso, foi liberado.
O delegado Thiago Vaz Resplandes, que atendeu a ocorrência, chegou a informar a Justiça que os policiais rodoviários tentaram mudar depoimento e fraudar o boletim de ocorrência após um vídeo de agressão viralizar na internet.
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Mata

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