Depois de esperar atendimento médico por três meses, criança indígena morre em canoa a caminho do hospital

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Menina de três anos havia sido diagnosticada com pneumonia e asma e não resistiu. Lideranças denunciam atendimento precário nas aldeias. Criança indígena morre após esperar três meses por encaminhamento; entenda
A pequena Thamyrys Txiwenona Karaja, de apenas três anos, moradora da Aldeia Fontoura, na Ilha do Bananl, esperou por atendimento médico por cerca de três meses. Seu corpo não aguentou e ela morreu a caminho do hospital. A família ainda estava na canoa que fazia o transporte da menina.
A pequena havia sido diagnosticada com pneumonia e asma e os parentes chegaram a registrar momentos em que ela tossia muito. Depois da perda da menina, a família e lideranças indígenas denunciam os responsáveis pelo setor de saúde indígena na região do Araguaia pela demora no encaminhamento.
“Ficou três meses doente para o médico encaminhar. O médico encaminhou para fora e não foi encaminhada”, denunciou o Waxio Karaja, cacique Aldeia Fontoura.
Thamyrys Txiwenona Karaja morreu a caminho do hospital
Divulgação
Segundo Rafaella Karaja, líder indígena da região, o encaminhamento para um especialista, conforme o relato dos sintomas da criança é de 12 de dezembro do ano passado.
“Até o momento a gente não teve o retorno da Sesai [Secretaria Especial de Saúde Indígena], do por quê que não foi feito esse encaminhamento. Quando a gente recebeu a notícia aqui foi assustador. Você saber que ela morreu no meio do caminho sem nenhum tipo de assistência, sem cuidado”, explicou, ressaltando que é preciso buscar saber o que aconteceu e se houve falhas, o responsável deve ser punido.
Segundo os indígenas da região, as falhas no Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) e na divisão de atenção à saúde indígena na ilha do bananal, são frequentes. Uma das chefes na região aparece discutindo com um morador após ser cobrada pelos problemas.
Em julho do ano passado, duas crianças também morreram por falta de assistência. Uma delas foi a pequena Utai Kureheru Iny, da Aldeia Macaúba, que também sofreu à espera de transporte.
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Outros povos, mesmos problemas
Na Aldeia Sol, do Povo Khahô em Goiatins, assa a cacique Creuza Krahô também denunciou problemas de falta de assistência aos indígenas. “Um remédio básico não tem e o carro da saúde só tem dois para várias aldeias. Enfermeiro é muito pouco, é difícil vir aqui fazer atendimento. Falta combustível e podia ter pelo menos três carros nessa região”, disse.
No território do povo Apinajé, os problemas são semelhantes. “A reclamação é que faltam remédios da farmácia básica, falta de combustível, falta de viaturas. A demanda pra se conseguir um exame, uma consulta”, reclamou Antônio Apinajé.
Para o pesquisador de saúde indígena da Universidade Brasília (UNB) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roberto Carlos de Oliveira, as políticas de atenção aos povos originários precisam de atenção.
“É importante compreender a Política Nacional de Atenção aos Povos Indígenas, e que essa política tem um proposito de garantir uma atenção integral à saúde, diferenciada e de acordo com os princípios e diretrizes do SUS”, explicou.
O Ministério da Saúde foi procurado para se posicionar sobre a morte da criança, mas ainda não respondeu aos questionamentos.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Mata

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