Hospital de campanha para atender indígenas Yanomami começa a ser montado em Boa Vista

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Os trabalhos iniciaram três dias antes da data prevista pelas autoridades. Parte da estrutura ainda está sendo transferida do Rio de Janeiro para o estado. Hospital de Campanha começa a ser montado em Boa Vista
Caíque Rodrigues/g1 RR
O hospital de campanha anunciado pelo governo federal para atender indígenas Yanomami começou a ser montado nesta terça-feira (24) nas dependências da Casa de Saúde Indígena (Casai), em Boa Vista. Os trabalhos iniciaram três dias antes da data prevista pelas autoridades. Parte da estrutura ainda está sendo transferida do Rio de Janeiro para o estado.
Dentro da Casai, cerca de 50 militares trabalham levantando as tendas de lona que servirão para atender os 715 indígenas que estão internados na unidade de saúde.
A medida foi anunciada após uma visita do presidente Lula (PT) à Casai para verificar a crise sanitária e humanitária no território indígena. E o Ministério de Saúde decretar estado de emergência de saúde pública na Terra Indígena Yanomami.
Hospital de Campanha foi enviado do Rio de Janeiro para Roraima
Caíque Rodrigues/g1 RR
Além disso, o governo deve enviar aos indígenas 5 mil cestas básicas e 200 latas de suplementos alimentares para crianças. Os mantimentos serão entregues na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em Boa Vista, para distribuição aos territórios.
“No caso da saúde, nós definimos que essa situação é uma emergência sanitária de importância nacional semelhante a uma epidemia. É isso que precisa ficar claro. A Saúde está determinada a resolver as emergências. Mas a sociedade tem que estar consciente do que está acontecendo aqui”, destacou a ministra Nísia Trindade durante visita em Boa Vista.
O secretário de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, chegou a dizer que irá propor também a criação de um Hospital de Campanha dentro da reserva Yanomami. A estrutura deve incluir alojamento e cozinha comunitária. A ideia é montar a unidade em Surucucu, região considerada o centro da Terra Indígena.
Hospital deve atender os 715 indígenas internados na Casai
Caíque Rodrigues/g1 RR
Clima de guerra
O secretário relatou ao g1 que chegou a ver garimpeiros armados enquanto participava do resgate de pacientes em estado grave de saúde na comunidade de Cachoeira, na Terra Indígena Yanomami. A cena é presenciada por ele é comparada a de uma guerra.
Tapeba afirmou que, naquele dia, o resgate na comunidade dominada pelo garimpo só foi possível por conta do apoio da segurança da Força Aérea Brasileira.
O titular da Sesai passou um dia na região de Surucucu. Ele retornou a Boa Vista nesta segunda (23). No domingo (22), acompanhou de perto a situação de indígenas com quadro grave de desnutrição em comunidades dominadas pelo garimpo – a atividade ilegal é a principal causa da crise sanitária no território.
“Toda essa crise é reflexo do garimpo e do garimpeiro, não tem como não ser. Nós temos cerca de 30 mil indígenas Yanomami e mais de 20 mil garimpeiros. Se não fosse os garimpeiros, os indígenas Yanomami certamente viveriam livres e autossuficientes como viviam antes.”
Secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba acompanhou um dia de resgates na Terra Yanomami
Caíque Rodrigues/g1 RR
Visita de Lula
Tapeba chegou a Roraima no sábado (21). Ele estava na comitiva de Lula (PT), que viajou ao estado para ver de perto a desassistência aos Yanomami. O presidente se surpreendeu com o que encontrou.
“Se alguém me contasse que em Roraima tinham pessoas sendo tratadas dessa forma desumana, como vi o povo Yanomami aqui, eu não acreditaria. O que vi me abalou. Vim aqui para dizer que vamos tratar nossos indígenas como seres humanos”, disse Lula.
“É uma operação que envolve uma complexidade muito grande, uma estrutura, uma logística, e nós precisamos cobrir todo o território, principalmente aquelas comunidades que estão muitas vezes reféns das ações dos garimpeiros”, disse o secretário.
Lula também criou o Comitê de Coordenação Nacional para discutir e adotar medidas em articulação entre os poderes para prestar atendimento a essa população.
O plano de ação deve ser apresentado no prazo de 45 dias, e o comitê trabalhará por 90 dias – prazo que pode ser prorrogado.
Com a visita de Lula a Roraima para tratar sobre a crise sanitária, a dramática situação do povo Yanomami se tornou um dos assuntos mais comentados do país no Twitter. Muitas pessoas, ao verem as imagens das vítimas, chamaram de “barbárie” e “descaso”.
Saúde dos indígenas
Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami registra nos últimos anos agravamento na saúde dos indígenas, com casos graves de crianças e adultos com desnutrição severa, verminose e malária, em meio ao avanço do garimpo ilegal.
Só em 2022, segundo o governo federal, 99 crianças Yanomami morreram – a maioria por desnutrição, pneumonia e diarreia, que são doenças evitáveis. A estimativa é que, ao todo no território, 570 crianças morreram nos últimos quatro anos, na gestão de Jair Bolsonaro.
Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Vito Califano

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