MPF acusa Ibama de impedir plano para retirada de garimpeiros da Terra Indígena Yanomami

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Equipes atuariam na região por seis meses ininterruptos e plano seria capaz de erradicar garimpo no território indígena. Os yanomami enfrentam uma crise sanitária e humanitária devido ao avanço da atividade ilegal na região. Pista de pouso em terra yanomami que é usada por garimpeiros ilegais
GETTY IMAGES
O Ministério Público Federal em Roraima (MPF-RR) acusa o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Brasília de impedir a execução de um plano para retirada de garimpeiros da Terra Indígena Yanomami.
A ação seria capaz até de erradicar o garimpo no território, afirmou o procurador da república Alisson Marugal, em entrevista nesta terça-feira (24).
A ideia, segundo Marugal, era deixar equipes dentro da Terra Yanomami por seis meses ininterruptos com apoio de embarcações, agentes de fiscalização e logísticas aéreas contra ação dos garimpeiros. Mas, as ações nunca foram colocadas em prática.
“Inclusive, tivemos em conversas com o Ibama para a implantação de um plano mais robusto. Mas, jamais esse plano foi aplicado. Muito pelo contrário, diversas vezes a coordenação do Ibama, o Ibama em Brasília, impediu que houvesse uma logística adequada para fazer essas operações”.
O plano foi feito pelo Ibama em Roraima no ano passado, em resposta às operações de combate ao garimpo, e enviado a Brasília, onde foi barrado.
Os yanomami enfrentam uma crise sanitária e humanitária devido ao avanço do garimpo ilegal na região. Só na última semana, mais de mil indígenas em estado grave foram resgatados.
O que está acontecendo com o povo Yanomami?
O planejamento foi apresentado judicialmente, mas, o Ibama em Brasília nunca deu a ordem para que a operação ocorresse. A ideia era atuar principalmente contra a logística, que alimenta o funcionamento do garimpo ilegal.
“Esse plano, que é ideal para o território Yanomami, que embora o garimpo tenha uma dimensão muito grande, ele não é um garimpo que necessita de muita logística”, disse Marugal – ele acredita que frear a logística é uma das formas de inibir o avanço das invasões.
O garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami é apontando como o maior causador dos problemas na reserva. Na avaliação de ambientalistas, a atividade ilegal destrói a floresta, espanta a caça, polui rios e peixes, e deixa o solo improdutivo para as plantações.
Além de impactos na saúde, o garimpo também leva à reserva conflitos e violência, entre eles ataques a tiros e exploração sexual de meninas e mulheres.
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Sem a execução do plano, o governo Federal realizou os chamados “ciclos operacionais”, que atuam em curtos períodos de tempo no território. A estimativa do MPF é que existam 421 pontos de mineração ilegal na terra indígena, mas durante as operações apenas 9 foram fiscalizadas.
“Muitas vezes os helicópteros sequer eram mandados para cá, ou ficavam poucos dias para fazer esse tipo de operação. O Ibama tem de 8 a 9 helicópteros no Brasil todo e jamais esses helicópteros ficaram aqui em Roraima na situação mais complicada de infrações ambientais”, completou o procurador.
Ontem, o órgão atribuiu a crise na sanitária e humanitária na terra indígena à “omissão do estado brasileiro”. Na avaliação, o MPF cita cobranças feitas ao governo federal entre os anos de 2019 a 2022, durante a gestão de Jair Bolsonaro.
A crise sanitária enfrentada pelo povo Yanomami fez com que o Ministério da Saúde decretasse emergência na saúde para combater a desassistência aos indígenas. O presidente Lula (PT) visitou uma casa de saúde na capital Boa Vista e se disse abalado com a situação desumana que viu.
Saúde dos indígenas
Crianças Yanomami com desnutrição severa são atendidos por equipes do Ministério da Saúde
Condisi-YY/Divulgação
Maior reserva indígena do Brasil, a Terra Yanomami registra nos últimos anos agravamento na saúde dos indígenas, com casos graves de crianças e adultos com desnutrição severa, verminose e malária, em meio ao avanço do garimpo ilegal.
Só em 2022, segundo o governo federal, 99 crianças Yanomami morreram – a maioria por desnutrição, pneumonia e diarreia, que são doenças evitáveis. A estimativa é que, ao todo no território, 570 crianças morreram nos últimos quatro anos, na gestão de Jair Bolsonaro.
Em 2021, o g1 e o Fantástico já tinham registrado cenas inéditas e exclusivas – semelhantes às divulgadas recentemente – de crianças extremamente magras, com quadros aparentes de desnutrição e de verminose, além de dezenas de indígenas doentes com sintomas de malária em comunidades Yanomami.
Conheça terra Yanomami
Arte/g1

Vittorio Rienzo

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