Oferta de produtos vai de utensílios de cozinha a robôs para auxiliar idosos

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Prefeituras estimulam instituições a adotar tecnologia e treinam os funcionários Lojas no Japão tem tecnologia a serviço dos idosos
Encerro a série de reportagens sobre ações desenvolvidas pelo Japão para lidar com os desafios da longevidade com o chamado “Modelo Kitakyushu”. Na cidade de 920 mil habitantes, 31,3% são idosos, índice que supera o do país, que é de 29%. Apesar de abrigar diversas universidades, o município assiste ao êxodo dos jovens recém-formados e precisou de criatividade para atender a população mais velha. “Os desafios da longevidade chegaram dez anos antes para nós. As empresas que prestam serviços não tinham foco, nem recursos, por isso tomamos a iniciativa”, afirmou Satoshi Horie, diretor do Serviço de Saúde Pública e Bem-estar de Kitakyushu. Ele usou o termo “monozukuri”, que em japonês é algo como criar, pôr a mão na massa, para definir a estratégia de estimular e apoiar as instituições a adotar todo tipo de tecnologia, inclusive realizando cursos de capacitação:
BellaBot, ao centro, faz entregas; à esquerda, Paro, a foquinha que é robô de companhia
Mariza Tavares
“Houve uma diminuição de 60% no tempo dedicado a relatórios, que passaram a ser feitos em smartphones e compartilhados na mesma plataforma. O monitoramento de idosos acamados com sensores, que enviam as informações sobre os sinais vitais para uma central, possibilitou remanejar funcionários da noite para o horário da manhã, que demanda mais gente”.
Kitakyushu se tornou referência e foca na prevenção, tanto que tem 315 centros-dia que oferecem serviços e atividades para os idosos. Yohei Tarumoto, diretor do showroom da prefeitura, me guiou numa visita para conhecer toda a parafernália disponível: “as instituições escolhem o que acham conveniente e as compras são subsidiadas. Também tiramos dúvidas e acompanhamos a adoção dos equipamentos até que estejam sendo utilizados corretamente. O objetivo é reduzir o tempo de trabalho que não é o cuidado direto com as pessoas”.
Satoshi Horie, diretor do Serviço de Saúde Pública e Bem-estar de Kitakyushu
Mariza Tavares
O showroom, com centenas de itens, fica aberto para o público em geral e lá é possível testar o sensor infravermelho que detecta a movimentação de um paciente na cama (R$ 16 mil) e alerta em caso de queda. Outro sensor, cujo preço varia entre R$ 4 mil e R$ 8 mil, é instalado embaixo do colchão e monitora os batimentos cardíacos. Os power suits, que apresentei na coluna de quinta passada, podem chegar a R$ 12 mil se forem elétricos (aumentam a força de quem usa), mas há modelos simples por R$ 1.200. Há ainda os andadores elétricos, que ajustam sua velocidade à marcha da pessoa e ficam entre R$ 4 mil e R$ 16 mil; um dispositivo para detectar a urgência em urinar – uma espécie de adesivo associado a um aplicativo – cuja assinatura custa pouco mais de R$ 1 mil por mês; e, como não poderia deixar de ser, robôs. Palro (R$ 26 mil) canta, dá a previsão do tempo e lê notícias; BellaBot (R$ 84 mil) entrega refeições e, criada originalmente para restaurantes, foi incorporada ao arsenal das instituições. Dessas seis colunas sobre o Japão, resta uma certeza: podemos fazer muito mais.
O robô Palro, que canta, dá a previsão do tempo e lê notícias
Mariza Tavares
A colunista viajou a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão

Vito Califano

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