Para evitar a fragilidade, prioridade no Japão é a prevenção

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“Falta conscientização às pessoas, que não entendem que têm que proteger a própria saúde, o que significa que o trabalho pela longevidade tem que começar na infância, e não aos 50 anos”, diz especialista No Brasil, a desigualdade é um fator determinante para a expectativa de vida dos cidadãos, o que pode significar ter a existência encurtada em muitos anos. No entanto, no Japão, a diferença entre a expectativa de vida dos mais ricos em relação aos mais pobre é de apenas seis meses. Quem me deu a informação foi o médico Kenji Toba, CEO do Instituto Metropolitano de Tóquio de Geriatria e Gerontologia, que detalhou as prioridades das políticas de saúde pública na quinta reportagem da série sobre a longevidade naquele país:
Kenji Toba: CEO do Instituto Metropolitano de Tóquio de Geriatria e Gerontologia
Mariza Tavares
“Temos que trabalhar na prevenção da fragilidade para que os idosos não sejam dependentes. Fazer mudanças no estilo de vida também é difícil aqui. O hospital dispõe de uma clínica de fragilidade na qual monitoramos pacientes de alto risco, como os portadores de diabetes, para evitar que sua saúde se deteriore. Prevenção se constrói com boa alimentação, exercícios para recuperar a massa muscular, estímulo intelectual e a manutenção de conexões sociais, ou seja, a pessoa deve continuar inserida na comunidade”.
No instituto, ele lidera um estudo longitudinal – que coleta dados por um longo período de tempo – de nome comprido: Integrated Research Initiative for Living Well with Dementia (Iride), cujo objetivo é ampliar as possibilidades de inclusão e independência dos indivíduos que apresentam um grau de declínio cognitivo moderado. Algo fundamental num país no qual a expectativa de vida para os homens é de 81.6 anos e, para as mulheres, de 87.7 anos:
“Embora o envelhecimento seja um fator de risco para o declínio cognitivo, isso não significa que o idoso vá desenvolver uma demência. Nosso objetivo é reverter o quadro de declínio moderado com mudanças de hábitos. Tratamentos não farmacológicos, reabilitação intensiva de curto prazo e os serviços oferecidos pelo seguro de cuidados de longo prazo são ferramentas para atingir essa meta”, diz.
Investir na prevenção pode, inclusive, reverter a estimativa inicial de que os atuais 6 milhões de portadores de demência passariam de 8 milhões em 2040: “alguns indicadores, como aumento da escolaridade, atividade física e tabagismo, melhoraram para homens e mulheres. As mulheres se saíram melhor nos indicadores de obesidade e hipertensão, e apenas o diabetes ainda tem números altos”, explica. Para o Brasil, sugere a criação de centros comunitários que possam estimular as pessoas a adotar um estilo de vida saudável e, ao mesmo tempo, reúnam informações sobre a população para definir diretrizes.
O médico Katsuya Iijima, professor da Universidade de Tóquio e diretor do Instituto de Iniciativas para o Futuro, tem entre suas preocupações a falta de conhecimento. Na sua opinião, a população consome informação defasada ou de má qualidade:
Katsuya Iijima: professor da Universidade de Tóquio e diretor do Instituto de Iniciativas para o Futuro
Mariza Tavares
“Falta conscientização às pessoas, que não entendem que têm que proteger a própria saúde, o que significa que o trabalho pela longevidade tem que começar na infância, e não aos 50 anos”.
Assim como o professor Toba, reforça a importância do controle de doenças crônicas e da prevenção da fragilidade – “é fator limitante que tem que ser meta de todos nós”. Na sua avaliação, serviços de atendimento deveriam ter sua avaliação e até remuneração atreladas à melhora e recuperação dos idosos:
“O cuidado também deve ter como objetivo que o paciente recupere sua capacidade, suas habilidades. Às vezes a assistência ‘protege’ de tal forma o idoso que, em vez de melhorar a potência que ele ainda tem, acaba diminuindo ou tirando a capacidade de a pessoa se manter independente”.
À frente da agência japonesa para pesquisa e desenvolvimento na área médica (AMED), o professor Iijima defende a digitalização dos serviços e o aumento do uso da tecnologia, incluindo robôs: “além da necessidade do compartilhamento de informações para estabelecer prioridades, é preciso que o setor de cuidados atraia a mão de obra qualificada”. A agência vem trabalhando em diferentes projetos: equipamentos para apoiar a mobilidade; monitoramento com sensores e checagem de sinais vitais; e suporte para a qualidade de vida dos idosos e dos cuidadores. Mas gostaria de ir além:
“O que nos falta é desenvolver a tecnologia de forma que o idoso não apenas mantenha a dignidade, mas tenha momentos felizes até o fim da vida. Não esqueçamos que essa pessoa tinha amigos e uma ligação com a sociedade. Tais conexões não podem deixar de existir por completo. Era o que eu gostaria de ver”.
A colunista viajou a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão

Vittorio Ferla

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