Profissional orienta como identificar o autismo e evitar a descoberta tardia relatada pelo cantor Vitor Fadul, marido de Karnal

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Fadul, de 27 anos, descobriu o transtorno há dois e afirmou que percorreu um longo percurso até a descoberta do diagnóstico. Psicólogo orienta quais sinais devem ser observados para que as crianças possam ter um acompanhamento adequado desde cedo. Cantor Vitor Fadul foi diagnosticado com autismo aos 25 anos e diz que acredita que sofre preconceito na música por ser autista
Reprodução/Facebook
A descoberta do Transtorno do Espectro Autista (TEA) na infância pode ajudar principalmente na interação social e no aprendizado, segundo o psicólogo e professor de Saúde Coletiva do Curso de Medicina da Unimes, Paulo Muniz. Essas, inclusive, foram as principais dificuldades enfrentadas pelo cantor e marido de Karnal, Vitor Fadul, de 27 anos, que foi diagnosticado aos 25 e revelou ao g1: “Creio que, se o diagnóstico tivesse sido na infância, eu teria tido o apoio que mais precisei e não tive”.
Para auxiliar os pais na identificação do transtorno e tornar a vida da família e da criança autista mais leve, o psicólogo e professor deu algumas orientações.
Características
O TEA é um distúrbio de neurodesenvolvimento e tem como características o desenvolvimento atípico [atrasado], a dificuldade na comunicação e na interação social. Para alguns autistas pode ser difícil, por exemplo, manter o contato visual, entender gestos e expressões faciais, além de expressar sentimentos.
O psicólogo enfatizou que pais, responsáveis e professores devem se atentar principalmente às questões da aprendizagem e interação social. Para ele, esse são pontos determinantes para o diagnóstico precoce do transtorno.
Muniz ressaltou que a descoberta do autismo na infância garante à criança a oportunidade de um acompanhamento adequado. “Em relação ao diagnóstico, não deve haver precipitação. Ele deve ser realizado com bastante calma durante um período prolongado, não dá para concordar com diagnósticos feitos em 50 minutos”.
Sinais
O psicólogo indicou que a criança costuma dar sinais do transtorno. Ele orienta que os pais devem observar, por exemplo, a maneira como a criança brinca. “As crianças, de modo geral, são muito fantasiosas. Elas usam a imaginação de maneira bastante rica, mas com o autismo elas repetem frases de alguma coisa da TV, de alguém que fala determinada frase perto delas”.
“É importante ressaltar que, de uma maneira geral, as crianças com TEA repetem muito as brincadeiras. Repetição da mesma maneira de brincar, com dificuldade em inventar histórias, em fantasiar e dramatizar coisas”, disse.
Algumas crianças autistas costumam não se relacionar com outras crianças. “Podem escolher brincar sozinhas, se afastar da turma ou ficar de longe observando as crianças, o que não é comum na infância”.
Muniz também explicou que algumas crianças com autismo podem ter dificuldades em compartilhar brinquedos, em perder o jogo e de esperar para participar de uma tarefa.
TEA é um distúrbio de neurodesenvolvimento e tem como características o desenvolvimento atípico [atrasado], a dificuldade na comunicação e na interação social
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Tratamento e diagnóstico tardio
Segundo o especialista, o transtorno causa prejuízo no convívio social e no desenvolvimento da criança. “O tratamento envolve um cuidado multiprofissional com intervenções de psicólogos, médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, pedagogos, terapeutas ocupacionais, educadores físicos”, disse ele, que ainda ressalta importância das orientações aos pais e responsáveis.
“É altamente recomendado que a equipe desenvolva um programa de intervenção que deve ser individualizado. Ninguém é igual. O diagnóstico não transforma as pessoas em iguais. Nenhuma pessoa com autismo é igual a outra”, disse.
Muniz destacou ainda que o diagnóstico tardio de um transtorno pode trazer prejuízos como a falta da possibilidade de aumentar a capacidade da pessoa em interagir socialmente, aprender coisas novas e também nas relações familiares. “Muitas vezes há um desgaste, um sofrimento porque algumas pessoas não compreendem alguns comportamentos e pode haver desgastes com brigas, discussões e incompreensões”.
Em entrevista ao g1, Vitor Fadul ressaltou que desde criança se sentia diferente e que poderia ter tido uma evolução maior se os sinais tivessem sido observados. “Sempre tive muita dificuldade com as crianças da minha idade e uma dificuldade total na escola, de aprendizagem”.
Cantor Vitor Fadul e historiador Leandro Karnal assumiram publicamente que estão juntos há quatro anos
Reprodução/Facebook
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Vittorio Ferla

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